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Modelagem de Processos de Negócio

Uma Abordagem utilizando Gerenciamento Ágil, PMI, RUP e UML


Resumo: Considerando a modelagem de Processos de Negócio como ponto essencial para o entendimento e apresentação de soluções, prazos e produtos aderentes à necessidade de clientes e interessados em projetos de software, a organização de conteúdos e documentos para o gerenciamento do conhecimento de projetos depende muitas vezes de um mapeamento prévio de processos e atividades inerentes ao pré-desenvolvimento da solução. Ao obter os modelos de negócio, o planejamento de iterações poderá ser focado em entregas iterativas ao final de cada processo, propiciando uma maior formalização e controle no que diz respeito às necessidades de documentação de projeto e negócio. Essa proposta tem por objetivo apresentar um modelo iterativo para a padronização na descrição do conhecimento dos processos de negócio, utilizando preceitos de Gerenciamento Ágil de Projetos de Software, PMI, RUP e modelagem UML.

1. Introdução
O mercado de engenharia de software atualmente emprega algumas modelagens próprias para a criação de artefatos de negócios e sistemas de informação. Tais modelos são utilizados para normalizar a sua fabricação, adequando a formas mais eficientes de mensuração de componentes de software e de serviços gerados. Para isso, a notação UML [Pender, 2004] [Guedes, 2006] é utilizada como base para descrição e documentação das funcionalidades do produto.
Dentre os métodos conhecidos para gerenciar os processos envolvidos na Engenharia de Software está o RUP, o qual propõe fases distintas e delimitadas para o desenvolvimento de soluções, possibilitando a implantação de processos de trabalho, do início ao fim de um projeto, baseando-se na entrega e manutenção de artefatos UML, que são exigidos ao final de cada iteração.
Por o Processo Unificado ter seu foco de trabalho voltado simplesmente à entrega de artefatos, o mesmo acaba não sugerindo uma forma para gerenciar tais processos e suas respectivas iterações, fazendo com que Gerentes e Líderes de projeto adotem outros métodos complementares, tal como técnicas empregadas pelo PMBok ou Padrões em Gerenciamento Ágil de Projetos. Ao utilizar tais técnicas, a tarefa de gerenciar o ciclo de vida das fases de trabalho se torna mais eficiente, abrangendo não apenas a visão temporal das entregas, mas sim administrando a periodicidade em que as mesmas devem ser produzidas, aumentando as chances do projeto dar certo, tornando o planejamento inicial das iterações mais tangível.
Para Pressman (1995), um projeto de software será bem sucedido se os processos determinísticos e tácitos de desenvolvimento da uma solução, ou sistema, forem seguidos integralmente. Segundo ele, o acompanhamento de alterações no escopo inicial, bem como a identificação prévia de riscos, seja na estrutura de negócio ou nas fases de trabalho, onde a não execução de atividades previstas no cronograma e erros no dimensionamento dos recursos disponíveis e os indicadores de qualidade, influenciarão no escopo, cronograma e custos durante todo o andamento dos trabalhos.
Em contrapartida, num ambiente de Escritório de Projetos de Software, onde a mentalidade de Gerenciamento Ágil está inserida [Ambler, 2002], os valores e princípios básicos de simplicidade, mudanças incrementais, avaliação dos propósitos de modelos e maximização de retorno, tanto aos clientes interessados, como para a equipe responsável, são propagados, a comunicação entre os envolvidos nos projetos é feita de forma mais aberta, privilegiando a qualidade da produção de conteúdo simples, em detrimento a outros modelos mais sofisticados ou que agregam pouco valor prático em sua manutenção.
Nessas situações, o mapeamento de processos de negócio é tido como base para o efetuar não apenas o gerenciamento das fases propostas pela metodologia, mas sim das estratégias a serem utilizadas nas fases que se seguem durante o trabalho de desenvolvimento e posterior entrega. As customizações de artefatos e a forma em que a equipe terá suas atividades definidas, dependem desse mapeamento prévio, para que uma série de erros de projeto sejam erradicados logo de início, e assim os riscos sejam mitigados. Isso auxiliará a compreensão daquilo que é necessário ser realizado, tanto no desenvolvimento ou na evolução de determinados sistemas ou componentes de negócio.

2. RUP – Rational Unified Process
O RUP é um processo aplicado à Engenharia de Software que prevê fases bem distribuídas e atribuição de responsabilidades e atividades a recursos humanos, na organização de trabalhos para o desenvolvimento de software. A metodologia se baseia em seis grandes processos de trabalho, onde cada fase define um determinado grupo de informações e funções integradas para a geração de documentos e artefatos para a constituição de componentes de software. Tais produtos seguem um ciclo de vida, os quais são avaliados a cada etapa subseqüente do método, sendo esse um método iterativo.
Dentre as fases propostas pelo RUP, o gerenciamento de projeto e a de modelagem de negócio (vide Tabela 1) são consideradas partes fundamentais dentro da estrutura utilizada para diagnosticar e atacar as necessidades de geração de artefatos, documentação e por conseqüência, determinar o produto software. As atividades gerais dessas fases prevêem:


Tabela 1 – Atividades adotadas pelo RUP para Gerência de Projetos e Modelagem de Negócio

ATORES
FORMAÇÃO
NIVEL

Gerente de projeto

Formação universitária em Ciências da Computação ou cursos correlatos.

Senior

Analista de Negócios

Formação universitária em Ciências da Computação ou cursos correlatos.

Senior/ pleno
 

Tabela 7 – Descrição de atividades do caso de uso de negócio

ATIVIDADES
 

Gerar plano de comunicação

Documento onde deverão constar informações iniciais do projeto, relacionadas aos pontos focais entre as equipes de projeto e cliente.

Classificar solicitação

Direcionar o projeto, classificando-o por tipo de trabalho.

Identificar escopo do projeto

O escopo do projeto será parte integrante da carta de início, onde deverão constar as informações básicas do projeto.

Gerar cronograma preliminar

O cronograma preliminar é um documento em que as projeções (em tempo) para a execução dos trabalhos de levantamento de negócio deverão estar identificadas.

Gerar carta de inicio de projeto

Geração da carta de inicio de projeto a qual será assinada pelo Gerente do Projeto e o cliente responsável pela solicitação.


Tabela 8 – Documentos e Templates associados ao cenário

DESCRIÇÃO
NOME SUGERIDO AO TEMPLATE
CICLO DE VIDA
TIPO
Ata de reunião
prj_ata_aaaammdd_vxx
Estático
DOC
Checklist
prj_plano_comunicação_aaaammdd_vxx
Estático
DOC
Cronograma Preliminar
prj_cronograma_aaaammdd_vxx.
Versionado
MPP
Carta de início de projeto
prj_cartadeinicio_aaaammdd_vxx
Estático
DOC
Escopo de projeto
prj_escopo_aaaammdd_vxx
Versionado
DOC

Tabela 9 – Propriedades do Cenário de Negócio: INICIAR PROJETO


Item
Atributo

Ação (automática, semi-automática ou manual).

Manual

Estímulos (Periódico, Solicitação ou Decorrência).

Decorrência

Entradas ou requisitos

Requisitos de negócio

Saídas ou resultados

Geração de dados iniciais de projeto

Serviço Conseqüente

FAZER PLANEJAMENTO

Volumetria quantit. (média/período)

5 documentos por projeto (em média)

Volumetria Temporal (em Média)

5 documentos do projeto mais artefatos colhidos durante a análise de requisitos

Agentes Externos

STAKEHOLDER

Recursos Humanos Operacionais Opcionais

Gerente de Projetos / Analista de Negócios

Recursos Materiais

Não há
Servidores
//Server01/Projetos/PRJ
Periféricos
Não há
Softwares
MS-WORD / MS-VISIO / MS-PROJECT

Comunicação (Links)

//Server01/Projetos/PRJ/<PROJETO>/

6. Conclusão
O processo aqui proposto para a modelagem de processos de negócio teve por intuito apresentar um formato de documentação para processos de negócio de forma customizada, relacionando somente os artefatos que forem realmente necessários para a formação da base de conhecimento do negócio, fundamentando seus requisitos de forma temporal. Nesse caso, o modelo descrito foi de processos iniciais de um projeto.
Para que projetos sejam viáveis e apresentem soluções e artefatos sob medida, de acordo com as evidências apresentadas pelos processos de negócio de uma determinada organização, ou empresa, o mapeamento das suas atividades se torna imprescindível, pois tais informações nortearão os trabalhos da equipe de desenvolvimento e projeto, quando essa for descrever features e informações funcionais de um sistema.
Como tarefas futuras a essa proposta, está a apresentação e adequação por completo das atividades de um escritório de projetos de software, onde, de acordo com as evidências dos processos de negócio de clientes, o mesmo poderá sugerir as formas mais indicadas para a criação de sistemas e conseqüentemente, poder escolher a metodologia que melhor se encaixa aos padrões de negócio de clientes parceiros.

7. Bibliografia
[1] Pressman, R.S. “Engenharia de Software”; São Paulo: Makron Books, 1995.
[2] Rational Unified Process 2003.06.01.06
[3] CMMI Models and Modules, disponível em http://www.sei.cmu.edu/cmmi/models
[4] PMBok Project Management Body of Knowledges, 3ª edição. ANSI/PMI 99-001-2004
[5] Fiorini, S.T., Leite, J.C.S.P., Lucena, C.J.P., “Organizando Processos de Requisitos”, PUC-Rio, 2006.
[6] Martins, J. C. C., “Gerenciando Projetos de Desenvolvimento de Software com PMI, RUP e UML”. Rio de Janeiro: Brasport, 2004
[7] Martins, J. C. C., “Técnicas para Gerenciamento de Projetos de Software”. Rio de Janeiro: Brasport, 2007
[8] Ambler, S., “Agile Modeling: Efective practices for Extreme Programming and the Unified Process”; 2002
[9] Cockburn, A., “Agile Software Development”, 2002, Addison-Wesley
[10] Pender, T. “UML: a Bíblia”, 2004. Ed. Campus
[11] Guedes, G. T. A. “UML – Uma Abordagem Prática”, 2006, Novatec
 

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